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Gilmar Mendes diz que redução do foro privilegiado vai dar 'muito errado'


Imagem: Reprodução / Veja



















O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), disse nesta quarta-feira
(2) que é um "mau profeta" e que a redução do foro privilegiado para deputados federais
e senadores vai dar "muito errado". Ele ainda não votou no caso -- seu voto está previsto
para a sessão de quinta-feira (3).

"Estamos fazendo uma grande bagunça. Aquilo que estamos estabelecendo para os políticos
 estamos estabelecendo em linha geral para todos os ocupantes. Aqui não é um jogo de
 esperteza, é um jogo de sinceridade na interpretação da Constituição Federal. 
Se isso vale para deputado, valerá para comandante do Exército, por que não?", 
disse Gilmar, ressaltando que o entendimento a ser firmado para os parlamentares 
federais deverá ser estendido para outras autoridades da República.


"Como sustentar isso a qualquer outro ocupante de cargo que não esteja sendo acusado
 de algum crime que não tenha nada a ver com a função?", questionou Gilmar.


O julgamento sobre a redução do foro privilegiado foi retomado nesta quarta-feira, com
 a leitura de voto do ministro Dias Toffoli, mas ainda não foi concluído.


Para Gilmar, o Supremo, na prática, reduzirá o foro para todas as instituições, inclusive 
para os próprios ministros do STF, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), membros do
 Tribunal de Contas da União (TCU) e até para os próprios comandantes das Forças 
Armadas.


"Os senhores imaginam um oficial de Justiça de Cabrobó vindo aqui intimar o
 Comandante do Exército. É bom que se atente para isso. Como vamos tratar o 
Comandante do Exército, da Marinha, da Aeronáutica?", disse Gilmar.


"Sou um mau profeta, vai dar muito errado. São questões que temos de sinceramente,
 juridicamente tratar, é muito fácil enganar o povo", concluiu o ministro.

Folha Política

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