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Juízes da Lava Jato têm segurança reforçada após avanço de investigações

Imagem: Reprodução / Redes Sociais















Os principais magistrados que analisam casos relacionados à operação
Lava Jato  vivem sob escoltas ou já relataram ter sido ameaçados.
A operação,iniciada em 2014, descobriu desvios de milhões de reais dos
 cofres públicos e condenou e prendeu políticos e empresários por crimes de
corrupção. Levantamento do Conselho  Nacional 
de Justiça (CNJ), obtido pelo Estado, aponta que 6 em cada mil magistrados estão
 sob  ameaça no Brasil.


Responsável pela Lava Jato no Rio, o juiz da 7.ª Vara Federal Marcelo Bretas vive sob
 proteção policial 24 horas por dia. O juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba,
 recebe proteção diária de agentes de segurança. O ministro Edson Fachin, relator da
 Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), também ganhou reforço na segurança
 pessoal e para sua família depois de revelar, em março, que tem sofrido ameaças.


Após o relato, presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, autorizou o aumento do número 
de agentes para escolta permanente de Fachin e encaminhou ofício para todos os colegas
 do Supremo sobre a necessidade de reforço na segurança. Segundo o Estado apurou,
 Fachin é o único ministro do STF que já pediu aumento na proteção pessoal. 
Procurado pela reportagem, ele não quis se pronunciar.


Em entrevista ao Estado em março, Cármen disse que “a Justiça não se intimida” com
 tentativas de constrangimento. “Primeiro porque ela tem um papel constitucional a 
cumprir do qual ela não pode se subtrair. A prestação da Justiça significa exatamente 
atender a quem tem direito”, disse. “O que o juiz ameaçado precisa é de garantia para 
ter tranquilidade e cumprir as suas funções”, completou a ministra, ressaltando que 
decisões judiciais sempre trazem um “nível de insatisfação”.


Com 20 anos de carreira, Marcelo Bretas viu a sua vida mudar há dois anos, quando
 passou a cuidar dos casos relacionados ao esquema de corrupção instalado na Petrobrás.
 “Eu não tenho liberdade, nem eu nem a minha família. É uma vida sem liberdade”,
 afirmou o juiz, depois de participar de evento em Brasília no último dia 7.
 “É um preço a pagar. A questão é isso: não é o ideal, mas agora vou até o fim. 
Já estou nisso, então vou continuar”, disse.


Se por um lado sente falta da liberdade, Bretas reconhece que vê com satisfação o reconhecimento das pessoas ao seu trabalho. “Não sou uma pessoa vaidosa, sou um 
servidor público e se as pessoas estão satisfeitas com o meu trabalho, eu tô realizado, 
tô feliz. É como ser empregado e o seu patrão está elogiando. Isso é o sonho de qualquer 
um que é trabalhador”, comentou. “Eu sou temente a Deus e tô fazendo meu trabalho 
certinho. Ninguém vai parar a Justiça”, completou o juiz.


Mudança


Autor das 134 ordens de prisões da Operação Lava Jato de Curitiba – entre elas as 
do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do empresário Marcelo Odebrecht –, 
Sérgio Moro manteve, até meados do segundo ano de operação – iniciada em 2014 –, 
o hábito de ir de bicicleta ao trabalho, almoçar no bandejão do prédio da Justiça Federal,
 esperar a carona da mulher na frente do Fórum ao final do expediente e passear no
 parque com a família.


De início, ele resistiu à escolta armada. Mas aos poucos teve que readaptar sua rotina, 
revivendo uma situação pela qual tinha passado há dez anos, quando condenou o
 traficante carioca Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, e passou seis
 meses vivendo sob proteção de agentes federais e policiais civis.


Em 2016, a Polícia Federal chegou a investigar ameaças feitas na internet, que pregavam 
atos de violência contra o Moro. O magistrado abandonou o carro e a bicicleta como 
meios de transporte e para ir ao trabalho e demais compromissos – que também 
sofreram alterações. Voltou a andar em carro blindado e acompanhado de escolta armada 
sempre que sai de sua residência – em um bairro residencial de classe média de Curitiba.


Nos últimos dois anos, procura evitar restaurantes cheios, idas ao shopping, encontros 
com amigos – a maior parte do meio jurídico, como outros juízes e advogados – e vive
 uma rotina que o leva de casa ao trabalho, com alguns intervalos para viagens – como 
a mais recente que fez aos EUA, para palestras e eventos. Sua escolta é formada por 
agentes de segurança judiciária da Justiça Federal do Paraná e da Polícia Federal – 
ambos cumprem o papel de “sombra armada” de Moro, que alega “questões de segurança”
 para não comentar sobre o assunto.

Folha Política

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