Pular para o conteúdo principal

Os militares e o documento da CIA



O meio militar – o Exército, sobretudo – recebeu com estranheza e indignação a divulgação de documento da CIA, datado de 1974, acusando os ex-presidentes Médici e Geisel, e por tabela o então chefe do SNI, João Figueiredo, que viria a sucedê-los, de autorizar a execução de adversários do regime.
Questiona-se, de início, a autenticidade do documento, divulgado e repercutido, segundo os militares, por ex-integrantes da Comissão da Verdade, instituída pelos governos do PT.

Ainda que autêntico, dizem eles, o que expõe é falso – e, nas palavras de um general de quatro estrelas, que pediu para não ser identificado, “pode ter sido gerado por um agente de baixa produtividade, que precisava justificar seu contrato. Nada garante seu conteúdo”. E diz mais esse general:

“O objetivo de trazer à baila um suposto acontecimento, não comprovado, de 44 anos atrás – e disponível já há alguns anos -, não tenha dúvida, é atingir a candidatura de Jair Bolsonaro. É ele o alvo, por sua origem militar e pela defesa que faz daqueles governos”.


Ele diz que o fato de o documento vir da CIA não o torna prova de nada: “Há fracassos históricos de informações vindas da CIA, a começar pelo episódio da Baía dos Porcos, nos anos 60”.

E pergunta: “Como a CIA poderia ter acesso a uma reunião ultrarreservada de quatro generais: o presidente da República, o chefe do Centro de Informações do Exército, o chefe do SNI e o ministro do Exército? Só se algum deles estivesse a seu serviço, o que é um absurdo total”, diz o general.

“É óbvio que se trata de uma avaliação açodada e conveniente”. E lembra que o fracasso do poder civil, “de que a Lava Jato dá testemunho”, consolidou o prestígio da instituição militar, que em todas as pesquisas de opinião pública figura no topo das mais acreditadas pela população.

“Isso faz ressurgir a narrativa esquerdista de que os acontecimentos pós-64 não tiveram apoio popular e configurariam mera perseguição política, como se não tivesse havido guerrilhas, assaltos a banco, sequestros de aviões e de embaixadores. Não há dúvida de que há uma orquestração, por parte de uma força política desmoralizada”, diz ele.

A denúncia veio à tona na quinta-feira, um dia depois de uma reunião em Brasília de alguns dos 73 candidatos militares às eleições de outubro, todos perfilados à candidatura presidencial de Jair Bolsonaro. O general não acha que tenha sido mera coincidência.

Não há ainda, nem se sabe se haverá, posicionamento do Alto Comando do Exército a respeito. O tema está sendo avaliado, mas há um grande desconforto no meio.

“Desde que os militares se retiraram da política, há 33 anos, não intervieram mais. Não queremos olhar pelo retrovisor, e sim para a frente. Mas a esquerda insiste em olhar para trás”.

Segundo ele, esse sentimento de revanche a fez cometer o erro estratégico de, em vez de diálogo, buscar o confronto. “O próprio PT lamentou, no seu 5º Congresso, não ter aparelhado nem as Forças Armadas, nem os colégios militares. Se o fizesse, e isso seria impossível, seríamos hoje a Venezuela”, diz.

E conclui: “Houve uma luta armada. A Comissão da Verdade diz que, em 21 anos, foram mortos 434 esquerdistas (números inflados), que, por sua vez, mataram 150, inclusive gente alheia ao conflito, como caixas de bancos e motoristas de caminhões de carga. Mataram menos pois perderam a guerra”.

A contradita está posta. E a reação militar, ainda indefinida, poderá dar ao documento ou o protagonismo almejado ou o silêncio.

Ruy Fabiano é jornalista

Veja Abril

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Bolsonaro reage a Boulos: “Vamos tipificar como terrorismo qualquer invasão de propriedade privada”

Em sua ‘live’ de domingo no Facebook, Jair Bolsonaro reagiu ao vídeo de um comício feito por Guilherme Boulos na quarta-feira passada, ao lado de Gleisi Hoffmann, em cima de um carro de som no Masp, em São Paulo, no qual o candidato derrotado do PSOL disse que só deixaria passar o feriadão para voltar a fazer mobilizações pelo país e a militância cantou em coro: “Ô Bolsonaro, presta atenção, a sua casa vai virar ocupação”. Boulos afirmou que “o MTST ocupa terreno improdutivo, e a casa do Bolsonaro não me parece uma coisa muito produtiva”. “Você deve ter visto um vídeo de ontem, ou anteontem, do Boulos insuflando uma massa enorme para invadir, ocupar a minha residência. O que você faria se o Boulos e 2 mil pessoas ameaçassem invadir a sua residência? Se eu for o presidente e se o Parlamento assim entender, nós vamos tipificar como terrorismo qualquer invasão de propriedade privada”, disse Bolsonaro.
O Antagonista

Patrícia Pillar critica Regina Duarte por apoio a Bolsonaro

Através de comentário feito na postagem, Patrícia usou várias narrativas esquerdistas para indicar que o candidato do PSL não seria capaz de ocupar o cargo de presidente do Brasil.

Na tarde desta quinta-feira (11), a atriz Regina Duarte, da Rede Globo, que já havia sinalizado o apoio ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), usou as redes sociais para fazer novas críticas ao Partido dos Trabalhadores, do candidato Fernando Haddad.

A atriz global compartilhou uma imagem com uma comparação entre o salário mínimo e outra quantia com a indicação de “Bolsa Presidiário”, fazendo referência ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A imagem ainda traz o questionamento: “Tem certeza que o PT sabe governar?”

Após a publicação, a atriz Patrícia Pillar, colega de emissora, rebateu a postagem por meio de comentário, assumindo uma posição contra Bolsonaro.

A ex-mulher de Ciro Gomes (PDT) declarou:


Com toda admiração e respeito que tenho por você Regina, faço aqui uma ponderação: de antemão te digo que n…

Haddad tenta jogar católicos contra evangélicos

O candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, participou de uma missa em São Paulo nesta sexta-feira (12). Em entrevista, logo após, o petista atacou Bolsonaro e tentou dividir cristãos. O dia de Nossa Senhora Aparecida foi utilizado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) para tentar construir a imagem de um Fernando Haddad com bases religiosas. “Eu sou neto de um líder religioso”, respondeu o candidato do PT ao ser chamado de “abortista” por uma cristã após a missa na paróquia Santos Mártires, no Jardim Ângela, em São Paulo.