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Comissão do Senado aprova projeto que obriga presos a pagarem as próprias despesas


Senadores Waldemir Moka (E) e Ronaldo Caiado, autor e relator
do projeto que obriga o preso a ressarcir o Estado
pelos gastos com sua manutenção no presídio
Imagem: Marcos Oliveira/Agência Senado





















Os números do Atlas da Violência 2018, constatando que o Brasil chegou à taxa de 30 
assassinatos por 100 mil habitantes em 2016, índice 30 vezes superior ao da Europa,
 impulsionaram a aprovação na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) de
 duas propostas relativas ao sistema prisional: o PLS 580/2015, que obriga o preso a
 ressarcir o Estado pelos gastos com sua manutenção no presídio, e o PLS 63/2018,
 que prevê a construção de colônias agrícolas para o cumprimento de penas por crimes 
cometidos sem violência, no regime semiaberto.

De autoria do senador Waldemir Moka (MDB-MS), o PLS 580/2015 altera a Lei
 de Execução Penal (LEP) para prever que o ressarcimento é obrigatório,
 independentemente das  circunstâncias, e que se não possuir recursos 
próprios, ou seja, se for hipossuficiente, o apenado pagará com trabalho.

Quero combater a ociosidade, que tem levado os presos a serem presas fáceis das
 facções que estão hoje infestando nossos presídios – afirmou Moka, após a
 votação, nesta quarta-feira (6).

O relator, senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), lembrou que o objetivo da proposta 
é fazer com que o Estado seja realmente ressarcido dos gastos que hoje estão sobre
 os ombros de toda a sociedade brasileira a um custo médio de mais de R$ 2.440,00 por mês.

Duas sugestões de melhoria foram apresentadas pela senadora Simone Tebet (MDB-MS)
 e acolhidas por Caiado. Pelo texto aprovado, quando o preso tem condições financeiras, 
mas se recusa a trabalhar ou pagar, será inscrito na dívida ativa da Fazenda Pública. 
Além disso, o hipossuficiente que, ao final do cumprimento da pena, ainda tenha restos a 
pagar por seus gastos, terá a dívida perdoada ao ser colocado em liberdade.

A LEP já determina que o preso condenado está “obrigado” ao trabalho, na medida de 
suas aptidões e capacidade, com uma jornada que não poderá ser inferior a seis nem
 superior a oito horas e com direito a descanso nos domingos e feriados.
 A proposta detalha essa forma de cumprimento e “não inventa a roda”, 
como frisou Simone.

O projeto recebeu 16 votos favoráveis e cinco contrários, um deles do senador Humberto
 Costa (PT-PE). Na opinião do parlamentar, o projeto é mais um que estimula o 
encarceramento da população.

Se não houver recurso para que seja votado em Plenário, o projeto seguirá para 
a Câmara dos Deputados.

Colônias agrícolas e industriais

O outro projeto aprovado é o PLS 63/2018, do senador Eduardo Braga (MDB-AM), que visa
 à construção de colônias agrícolas e industriais em municípios com mais de 500 mil habitantes
 para que os condenados por crimes sem violência cumpram penas no regime semiaberto.

O texto, relatado pelo senador Valdir Raupp (MDB-RO), permitirá a criação de até 62 mil novas 
vagas no sistema prisional brasileiro, a ser destinadas, exclusivamente, ao cumprimento de pena
 privativa de liberdade por condenados do regime semiaberto envolvidos em crimes 
cometidos sem violência ou grave ameaça. Quanto aos condenados pelos mesmos tipos de
 crimes, mas em regime fechado, poderão ser transferidos para as colônias quando 
progredirem para o regime semiaberto.

Para viabilizar a medida, o PLS 63/2018 determina o repasse, mediante convênio, de recursos
 do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) aos estados. Esse seria o ponto de partida para a 
construção – até 31 de dezembro de 2020 – de colônias agrícolas ou industriais em municípios
 com mais de 500 mil habitantes. O número total de vagas nessas unidades 
prisionais deverá corresponder, no mínimo, a 0,1% da população do município.

“Os condenados terão uma oportunidade de reinserção no mercado de trabalho e de 
ressocialização, por meio do trabalho agrícola ou industrial remunerado. Além disso,
 evita-se que presos de menor periculosidade tenham contato com presos de maior 
periculosidade. As colônias, enfim, não serão ‘universidades do crime’”, resumiu Braga

Segundo Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen), o Brasil possuía,
 em junho de 2016, 726.712 pessoas privadas de liberdade. Esse contingente excedia a 
capacidade do sistema em 358.663 presos (mais de 50%)

- O projeto vai contribuir para que os presos tenham oportunidade de trabalhar, produzir , 
conquistar seu sustento e retornar ao convívio social – frisou Braga

O PLS 63/2018, que recebeu 17 votos favoráveis e nenhum contrário, poderá seguir direto
 para a Câmara dos Deputados se não houver recurso para votação do texto em Plenário.

Folha Política

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