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Condenados por corrupção continuam fazendo leis graças a recursos ao Supremo


Imagem: André Dusek / Estadão


















Dez parlamentares condenados pela Justiça continuam a exercer seus mandatos e não 
tiveram as penas executadas, pois ainda dispõem de recursos contra a decisão no
 Supremo Tribunal Federal (STF). Esses processos fazem parte do conjunto de 52 
ações penais que permaneceram na Corte mesmo após a restrição ao foro privilegiado,
 segundo levantamento do Estadão/Broadcast.


É o caso do senador Valdir Raupp (MDB-RO), condenado em 2002 a 6 anos de reclusão.
 A ação penal chegou ao STF em outubro de 2003, sob relatoria do ministro Celso de
 Mello, e ainda não tem decisão. Raupp também é réu na Corte por investigações da
 Operação Lava Jato.


Na terça-feira, 29, o deputado federal Nelson Meurer (PP-PR) se tornou o primeiro 
parlamentar réu da Lava Jato a receber condenação da Corte. Além de Meurer, outros
 seis deputados federais e três senadores foram sentenciados por delitos como peculato,
 falsidade ideológica eleitoral, crime contra o sistema financeiro e fraude em licitação.


Condenado em maio de 2017 por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o deputado
 Paulo Feijó (PR-RJ) representa um caso emblemático sobre a pendência de decisões 
tanto no Supremo quanto no Congresso.


Quando a Corte analisou sua ação penal, de envolvimento do escândalo dos 
Sanguessugas, decidiu também decretar a perda automática do mandato, por sugestão
 do ministro Luís Roberto Barroso. Por ter sido condenado a mais de 12 anos de prisão
 em regime fechado, os ministros entenderam que a sanção era uma consequência
 lógica em função de o deputado ter de cumprir pena na cadeia.


No entanto, depois de mais de uma década da acusação, Feijó continua livre e exercendo 
seu mandato. Ainda resta ao Supremo analisar um recurso apresentado em novembro, 
e a Câmara briga no STF contra a decisão de perda automática do mandato.


Divergências. O caso de Feijó instigou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), 
a entrar com uma ação no STF contra a decisão da Corte. Barroso foi sorteado como relator 
e decidiu enviar o processo para análise do plenário. O questionamento de Maia foi feito
 em janeiro, em meio a cobranças para que a Câmara instaurasse o processo de cassação 
do deputado federal afastado Paulo Maluf (PP-SP).


Assim como Feijó, Maluf foi condenado a mais de 7 anos de prisão, em maio do ano
 passado – e, por isso, os ministros decretaram a perda de seu mandato. No entanto,
 somente após o ministro Edson Fachin mandar executar a pena, em dezembro, hoje
 revertida em domiciliar, que o Congresso se viu obrigado a afastar Maluf e, apenas em 
fevereiro, instaurou o processo de cassação, ainda não concluído. O ex-prefeito de São
 Paulo foi condenado novamente no mês passado, a mais de 2 anos de prisão domiciliar
 e pagamento de multa.


A perda automática do mandato divide o Supremo, colocação apontada pelo próprio Maia
 na ação apresentada ao STF. Enquanto a Primeira Turma entende que a decisão de perda
 de mandato pode ser tomada pela Corte, a Segunda Turma atribui a função somente ao Congresso. A questão chegou a ser discutida na terça-feira, quando a Segunda Turma 
condenou Meurer. Mas, por três votos a dois, a perda do mandato foi barrada. 
Os ministros decidiram que a Câmara será notificada para deliberar sobre o mandato 
assim que não couber mais recurso na ação penal de Meurer. Esse tipo de determinação
 ocorreu nos casos de outros quatro parlamentares.


Prescrição. Um dos recursos que Cassol apresentou contra sua condenação estava pautado
 para a sessão plenária da quarta-feira, 30, mas não foi julgado. O senador se tornou réu
 no STF em 2011, por fraude em licitação. Foi condenado em 2013, quando as ações penais
 ainda eram julgadas pelo plenário da Corte, não pelas turmas.


No fim de 2017, o senador conseguiu reverter com um recurso sua pena de mais de 4 anos,
 em regime semiaberto, para restritiva de direito com prestação de serviços à comunidade.
 O processo é cobrado pela Procuradoria-geral da República (PGR) para ser julgado, assim
 como o caso do senador Valdir Raupp.


Defesas. O advogado Michel Saliba, defensor do deputado Nelson Meurer (PP-PR), 
afirmou que respeita a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de condenar seu cliente,
 mas que recorrerá assim que o acórdão for publicado. Os demais parlamentares condenados
 pelo Supremo consideram as sentenças desproporcionais e se dizem inocentes.


Investigados por envolvimento na Máfia dos Sanguessugas, os deputados Nilton Capixaba
 (PTB-RO) e Paulo Feijó (PR-RJ) foram condenados por receber vantagens indevidas. 
Capixaba afirmou que foi inocentado em três ações sobre fatos relacionados e que o
 mesmo deveria ter ocorrido no processo pelo qual foi condenado. Já Feijó negou 
irregularidades.


Condenada por delitos na compra de livros didáticos quando foi secretária estadual de 
Educação de Tocantins, a deputada Dorinha Rezende (DEM-TO) afirmou que o Tribunal 
de Contas da União (TCU) não identificou irregularidades.


O deputado Ronaldo Lessa (PDT-AL), que entrou com novo recurso contra sua condenação
 no dia 25, afirmou que é inocente e que o caso em que foi acusado de calúnia eleitoral prescreveu.


O senador Acir Gurgacz (PDT-RO) disse que é inocente e vai esperar publicação do
 acórdão da decisão e deve recorrer da sentença.


Procurados, o deputado Roberto Góes (PDT-AP) e o senador Valdir Raupp (MDB-RO)
 não responderam. A defesa do senador Ivo Cassol (PP-RO) afirmou que não se manifestaria. 
A defesa do deputado afastado Paulo Maluf (PP-SP) não foi localizada.

Folha Politica

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