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Léo Pinheiro acusa Luiz Marinho de fraude em licitação no ABC; obra foi pedido de Lula


Imagem: Edilson Dantas / O Globo

















Na proposta de delação premiada que negocia com a força-tarefa da Operação 
Lava-Jato, o ex-presidente da OAS José Adelmário Pinheiro Filho, o Léo Pinheiro,
 afirma que a empreiteira foi favorecida pelo ex-prefeito de São Bernardo do Campo 
(SP) Luiz Marinho em uma licitação milionária na cidade. Pré-candidato ao governo 
de São Paulo pelo PT, Marinho teria usado sua posição para garantir que o Consórcio
 Centro Seco, liderado pela OAS, conquistasse o edital das obras do Piscinão do Paço, 
no Centro da cidade, orçada inicialmente em R$ 300 milhões.



O piscinão faz parte do Projeto Drenar, uma das principais bandeiras da gestão do
 petista no ABC Paulista, que comandou a prefeitura entre 2009 e 2016. Como o 
jornal O Globo revelou nesta semana, a proposta de delação de Léo Pinheiro, que 
está preso em Curitiba, foi aprovada pela Procuradoria-Geral de República (PGR) 
e está em andamento com a força-tarefa do Paraná.
A história que envolve Luiz Marinho está contada em um dos primeiros anexos 
apresentados por Pinheiro à Lava-Jato, que tratam de sua relação com o ex-presidente 
Lula. Segundo o empreiteiro, a entrada da OAS no negócio foi acertada em duas
 reuniões no Instituto Lula, durante o segundo semestre de 2012.


Um desses encontros teria ocorrido numa tarde em que o Supremo Tribunal Federal
 (STF) realizava uma das 53 sessões do julgamento da Ação Penal 470, que condenou
 a cúpula petista no caso do mensalão, primeiro grande escândalo do PT no poder.


— O ex-presidente Lula me convocou para uma reunião no Instituto Lula para pedir
 que a OAS estudasse uma solução para o problema de inundação no Centro de São 
Bernardo do Campo, praça e arredores do Paço Municipal. Realizados os estudos, 
mantive um novo encontro com Lula na mesma data em que ocorria uma sessão
 televisionada do julgamento da AP 470 no Supremo Tribunal Federal. Nessa reunião,
 o ex-presidente, que estava assistindo ao julgamento pela televisão, desligou o aparelho
 para conversar comigo. Apresentei alternativas para a solução do problema. Lula se 
mostrou satisfeito e solicitou que entrasse em contato com Luiz Marinho, prefeito de 
São Bernardo do Campo, para resolver o assunto — relata Léo Pinheiro.


Na sequência do seu relato, o empreiteiro esclarece o que seria “resolver o 
assunto”.


— Atendendo à orientação (de Lula), determinei que um diretor da OAS procurasse
 Luiz Marinho. Nesse contato, se acertou a elaboração de um edital especificamente 
para que a OAS ganhasse a licitação e realizasse as obras em São Bernardo do Campo. 
A OAS sagrou-se vencedora do certame num consórcio com a Serveng — conta
 Léo Pinheiro.


Ao apresentar o anexo, o empreiteiro da OAS se dispôs a dar mais detalhes da negociata realizada em torno da obra. Orçada em cerca de R$ 300 milhões, a obra do Piscinão do
 Paço em São Bernardo foi entregue à OAS em dezembro de 2013, meses depois da
 reunião sigilosa no Instituto Lula, e foi apresentada como uma vitrine da gestão petista
 de Luiz Marinho. Boa parte da verba usada no empreendimento saiu do Programa de
 Aceleração do Crescimento, o extinto PAC, criado por Lula e continuado por Dilma
 Rousseff.


ADITIVOS MILIONÁRIOS


Em 2015, depois de a Lava-Jato ter descoberto o envolvimento da cúpula da
 empreiteira no escândalo da Petrobras, a OAS acabou demitindo mais de 200 
trabalhadores e praticamente abandonou a obra, o que não impediu a gestão petista
 de liberar aditivos milionários à empreiteira. No começo de 2017, a nova gestão da
 prefeitura suspendeu os aditivos e passou a cobrar um plano de trabalho da OAS 
para concluir a obra. No início de 2018, a retomada dos trabalhos foi anunciada para
 este ano, mas a um custo de R$ 353 milhões — R$ 53 milhões a mais do que o
 previsto inicialmente.


Se já tivesse sido concluído, o piscinão teria capacidade de armazenar 220 milhões
 de litros de água, o suficiente para acabar com os problemas de enchente no Centro
 de São Bernardo.


Durante os dois mandatos de Lula, o ex-prefeito Luiz Marinho ocupou os ministérios
 do Trabalho e da Previdência Social. No dia 24 de março, o PT escolheu Marinho 
para ser o candidato do partido ao governo de São Paulo. Ele também é o presidente 
do Diretório Estadual do PT. Ao discursar em São Bernardo, no dia 7 de abril, antes 
de ser preso, Lula rasgou elogios ao afilhado petista:


— O Marinho foi o maior prefeito que São Bernardo já teve — declarou.


O ex-presidente Lula sempre refutou as acusações feitas por Léo Pinheiro. 
Ao argumentar que a “senha é falar do Lula”, o petista afirma que o empreiteiro 
envolve seu nome em fatos criminosos porque precisa convencer os procuradores 
da Lava-Jato a fechar seu acordo de delação. Procurado pela reportagem, 
o ex-prefeito Luiz Marinho não se manifestou.

Folha Política

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