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Maioria dos presidenciáveis rejeita privatizar a Petrobras


Imagem: Paulo Whitaker / Reuters



















A maioria dos pré-candidatos à Presidência, entre eles nomes que defendem 
o liberalismo econômico, rejeitou a privatização da Petrobrás e disse que o 
governo deve manter o controle da companhia. Dias após a greve de 
caminhoneiros provocada pela alta no preço dos combustíveis, que gerou 
desabastecimento no País e levou à troca da presidência da estatal, a
 privatização  foi rechaçada por candidatos de esquerda, centro e direita.


Eles declararam considerar a empresa estratégica e afirmaram não ter intenção 
de vender o controle acionário. Parte deles também disse ser contra a medida em
 bancos públicos como a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil e o Banco
 Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mas admitiu a
 venda de outras estatais.


Só dois dos 11 pré-candidatos sabatinados em evento promovido pelo jornal 
Correio Braziliense e pelo Sindicato Nacional dos Auditores da Receita Federal 
do Brasil (Sindifisco) adotaram posição diversa: o ex-ministro da Fazenda Henrique
 Meirelles (MDB) e o empresário Flávio Rocha (PRB), do grupo dono das lojas
 Riachuelo.


Rocha disse ainda que pretende realizar um plano agressivo de privatização da ordem
 de R$ 700 bilhões caso seja eleito presidente da República. "O Estado não terá posto
 de gasolina nem terá empresa de entrega de encomenda", afirmou, em referência a
 atividades econômicas da Petrobrás e dos Correios.


Meirelles defendeu o aumento do capital privado na Petrobrás e no BB, empresas de
 capital misto. Ele afirmou que a perda de controle da União dessas companhias é 
algo que pode "evoluir com o tempo", desde que seja assegurada uma administração 
profissional.


"Acredito que poderia se evoluir a participação privada, não privatizar no sentido
 clássico. Muitos fazem essa proposta, é bonito, mas é perigoso. Monopólio privado
 não, mercado privado competitivo", declarou. Segundo ele, esse aumento de capital 
pode se dar com aumento da participação do setor privado nas ações, criando, em 
troca, mecanismos mais fortes de governança.


"Seria uma pulverização", declarou o emedebista. Rocha, por sua vez, prometeu 
defender a "privatização radical" antes da sabatina e incluiu a Petrobrás no rol de 
empresas que podem reduzir o tamanho e capitalizar o Estado. Ele disse que esse 
cenário permite combustíveis mais baratos e classificou como "justa" a reclamação
 dos caminhoneiros sobre o preço do diesel.


Contrários


Um dos líderes nas pesquisas de intenção de voto, o deputado Jair Bolsonaro 
(PSL-RJ) fez discurso em defesa das privatizações, mas não incluiu a Petrobrás
 na lista de estatais a serem vendidas por ter "função social". "Eu tenho a Petrobrás
 como uma empresa estratégica", afirmou, na entrevista que teve mais audiência
 nas redes sociais.


O ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes (PDT) afirmou que os escândalos de corrupção
 na estatal não são motivo para entregar o controle da companhia ao setor privado.


“Esse País é um dos raros do planeta que têm uma imensa sobra de petróleo, portanto 
podemos influir centralmente na política mundial. R$ 20 trilhões de riqueza já estão 
mapeados. Vamos entregar para os estrangeiros em nome de quê? Corrupção? 
E a Odebrecht é estatal? E a Andrade Gutierrez é estatal?”, disse o pedetista, 
referindo-se à participação das empreiteiras no escândalo descoberto na Operação 
Lava Jato. “Em um possível governo meu, a Petrobrás terá um contrato de gestão 
com padrões de eficiência transparentemente anunciados e recrutamento com 
critérios de recrutamento necessariamente técnico.”


A ex-ministra do Meio Ambiente e ex-senadora Marina Silva (Rede) afirmou ser 
contra a privatização da Petrobrás e bancos públicos: "Não sou favorável às 
privatizações da Petrobras, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica. 
Agora acho que é possível que algumas empresas sejam privatizadas", disse.


O senador Álvaro Dias (Podemos-PR) rechaçou privatizar a Petrobrás e instituições 
financeiras controladas pelo governo, mas sugeriu vender subsidiárias da petrolífera. 
"Não cogitamos privatizar Banco do Brasil, Caixa, BNDES, Petrobrás. Esta é uma 
grande empresa, invejável, de reputação internacional. O que admitimos é a 
privatização no entorno, competição no entorno, nas subsidiárias", declarou.


O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), fez coro contra 
a privatização da Petrobrás e do Banco do Brasil. “A Petrobras não precisa ter o 
monopólio. Pode continuar existindo, num tamanho menor. O que não pode é ser 
estatal única", afirmou Maia ao ser questionado sobre privatizações. Ele defendeu 
a privatização do sistema Eletrobrás, mas fez ressalvas ao modelo proposto ao 
Congresso pelo governo Michel Temer. Maia afirmou que, no momento, não se
 deve pensar em privatizar a instituição financeira.


Pré-candidata do PCdoB, a deputada estadual gaúcha Manuela D’Ávila se manifestou
 contra a venda da participação pública nas empresas e acusou o governo de querer 
promover desmonte do Estado. Manuela ponderou que o Brasil vive um processo de desindustrialização “severo” e que não é possível repensar a retomada da atividade 
industrial entregando o controle das atividades energéticas a multinacionais. 
Ela argumentou que os bancos públicos são fundamentais para disputar as tarifas
 de juros no mercado com as instituições privadas. Manuela propôs desenvolver 
mecanismos de controle contra a corrupção nas estatais.


“Petrobrás, Banco do Brasil, Caixa e Eletrobrás são fundamentais para o desenvol
vimento do Brasil e retomada do crescimento da economia. Privatização não é um 
debate moral, é um debate estratégico sobre o que o Brasil precisa ou não para se 
desenvolver como nação. Se a Petrobrás é tão importante, temos que garantir que 
esteja imune a atos de corrupção.”


O presidente licenciado do Sebrae, Guilherme Afif Domingos (PSD), declarou que
 a Petrobrás pode ser estatal, mas não ter o monopólio da exploração do petróleo. 
 “Posso ter estatal sim, mas ela tem que estar em regime de mercado, não pode ter
 monopólio, nem tampouco oligopólio. Se a Petrobrás tem o monopólio, não 
entregaria a ela o poder de decidir o que deveria uma decisão de governo”, 
afirmou, sobre o preço dos combustíveis.


O pré-candidato do PSDB, ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, não havia 
participado da sabatina até a conclusão desta edição. Alckmin já defendeu a privatização 
total da Petrobrás no futuro. Recentemente, porém, ele recuou da ideia.

Folha politica

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