Pular para o conteúdo principal

Partidos de esquerda buscam um candidato viável para o 1º turno, mas Haddad diz que não abre mão de Lula


Imagem: Isabel Fleck / Folhapress
Em um evento programado para discutir “o que une” as pré-candidaturas de esquerda ao Planalto, os coordenadores dos programas de Ciro Gomes (PDT) e Manuela D’Ávila (PC do B) defenderam na noite desta sexta (29) um acordo já no primeiro turno, mas foram freados pelo ex-prefeito Fernando Haddad (PT).

“Tenho certeza que estaremos juntos no segundo turno. Mas o que eu temo é que, no segundo turno, estejamos juntos fora da disputa”, disse o representante da campanha de Manuela D’Ávila, Luís Fernandes, aos demais participantes do debate realizado na Casa do Povo, em São Paulo.
Apesar de um pouco menos pessimista, o economista Nelson Marconi, coordenador do programa de campanha de Ciro, também citou a necessidade de conversas para uma candidatura única. 

“O que está em jogo é um projeto conservador ou um projeto progressista legitimado. A população pode legitimar um dos dois projetos, e a gente tem que fazer de tudo para que o nosso projeto seja legitimado”, disse, acrescentando que isso “logicamente envolve um acordo entre o campo progressista”.

Logo após as declarações dos dois, no entanto, Haddad —que foi representando a pré-candidatura de Lula, mas que também é visto como plano B do PT na disputa— repetiu que o partido “não pode e não vai abrir mão” do ex-presidente.

“Como os petistas, nós, podemos abrir mão do Lula? Nós não temos condições políticas, morais, intelectuais, programáticas de abrir mão do Lula”, disse, atraindo aplausos menos efusivos que Fernandes ao questionar se há sentido para as candidaturas de esquerda não estarem unificadas no primeiro turno.

Manuela tem entre 1% e 2% das intenções de voto, segundo a última pesquisa Datafolha, realizada no início de junho. Ciro teria entre 6% e 11%, enquanto o PT teria 1% com Haddad e 30% com Lula, que está preso após condenação em segunda instância pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Pela Lei da Ficha Limpa, ele está inelegível.

Guilherme Boulos (PSOL), que também enviou uma representante na conversa desta sexta, aparece oscilando entre 0% e 1% das intenções, dependendo do cenário. A representante de Boulos, Natalia Szermeta, mencionou o fato de não haver uma candidatura única de esquerda como consequência da “falência do sistema político”, mas não chegou a defendê-la.

No fim do debate, Haddad afirmou a jornalistas que a candidatura de Lula é “incontornável”. 

“Se tiver prévias com o nome dele, a gente pode até discutir. Mas prévias sem o nome dele não me parece democrático”, disse o ex-prefeito. O evento foi organizado pelo movimento “Quero Prévias”, que quer o modelo para a escolha de candidaturas e programas.

Questionado pela Folha sobre a reação do petista, Marconi disse que o PT tem direito de querer manter o ex-presidente na disputa. 

“Seria interessante ter uma candidatura única, mas não sei se viabiliza. No mínimo a gente tem que conversar pra ver se consegue fazer uma coisa mais para frente”, afirmou.  

Ele, no entanto, nega que Ciro possa ser o pré-candidato a ceder. “Ninguém está falando que o Ciro está pensando em desistir, assim como o Lula não está pensando em desistir. Não estamos nesse estágio da conversa.” 
Folha Política

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Janaína Paschoal disse: " Se essa dupla acontecer será pra revolucionar o país" na chapa com Bolsonaro

Disse janaína à rádio Eldorado, sobre a possibilidade de ser vice na chapa de Jair Bolsonaero.

E mais: "Se essa dupla não consegue mudar o Brasil, ninguém consegue. São duas pessoas de personalidade muito forte. Não conheço ninguém que ame mais o Brasil do que eu. Para o país , seria algo significativo."
Sequer conhece o Bolsonaro pessoalmente.

Segundo o Antagonista a decisão de topar ou não a vaga- se o convite acontecer de fato- é "séria demais" e demandaria "um longo diálogo com o candidato".
(Convite aceito)

Advogado desiste de defender Lula

Ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e um dos principais advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Sepúlveda Pertence enviou uma carta ao petista, na sexta-feira passada, em que comunicou sua intenção de deixar a banca de defesa “com pesar”. Segundo dirigentes do PT, Pertence deixou claro que as divergências com outros advogados da causa motivaram a decisão. O manuscrito foi levado a Lula, preso em Curitiba desde 7 de abril, pelo filho de Pertence, Evandro.
Na quarta-feira, o advogado Sigmaringa Seixas se encontrou com Lula em Curitiba para falar que Pertence queria deixar a sua defesa. O ex-presidente foi reticente e disse que não aceitaria que o ex-ministro, seu amigo há 40 anos, saísse da causa.
Na sexta-feira, ao receber a carta de Evandro, Lula repetiu que era contra a renúncia de Pertence e não quis ler o documento, que ficou com ele. O petista e seu advogado devem conversar pessoalmente nos próximos dias para definirem se o medalhão permanecerá ou não na banc…

Com o bolso cheio e a moral esfacelada, Sepúlveda deixa a defesa de Lula

Lula não aceita e chamou Sepúlveda para conversar em Curitiba.
É oficial. O ex-ministro Sepúlveda Pertence não faz mais parte da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em carta, ele anunciou ‘com pesar’ sua intenção de deixar a banca de defesa. A missiva de Sepúlveda foi entregue ao presidiário por seu filho Evandro Pertence. O ex-ministro encerra assim um dos episódios mais tristes e vergonhosos de sua carreira. Sepúlveda enumera diversos episódios que teriam sido preponderantes para a sua decisão, mas o fato marcante foi sem dúvida a verdadeira humilhação a que foi submetido pelo advogado Cristiano Zanin. Segundo o jornal O Globo, Lula disse que não aceita a renúncia. Sepúlveda terá que comparecer a Curitiba para conversar com o petista. O encontro dever ocorrer no decorrer desta semana. Jornal da Cidade