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Professor que encontrou falhas nas urnas eletrônicas deixará o Brasil: 'desilusão generalizada'

Imagem: Produção Ilustrativa / Folha Política













Diego Aranha, professor da Computação da Unicamp que se tornou conhecido
 por liderar pesquisas apontando problemas de segurança nas urnas eletrônicas 
brasileiras, está de saída do país.


O pesquisador começa no mês que vem a dar aulas na universidade Aarhus, a 
maior universidade da Dinamarca e uma presença frequente nas listas das 100 
melhores do mundo.


“A decisão veio de uma desilusão generalizada com o estado completamente
 disfuncional do país. A (in)segurança da urna eletrônica é apenas mais um 
exemplo infeliz”, resume Aranha.
Aranha coordenou uma equipe de profissionais num teste de segurança promovido
 pelo Tribunal Superior Eleitoral em 2017.


“Conseguimos, por exemplo, alterar mensagens de texto exibidas ao eleitor na urna 
para fazer propaganda a um certo candidato. Também fizemos progresso na direção 
de desviar voto de um candidato para outro”, disse Aranha recentemente em uma 
audiência pública realizada pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do
 Senado.


As ações foram possíveis porque a equipe descobriu a chave de acesso ao sistema de
 arquivo do equipamento, o que permitiu ter acesso ao log e ao registro digital de 
votação.


Segundo Aranha disse na ocasião, a equipe dele trabalhou em condições piores do 
que trabalhariam verdadeiros fraudadores, devido a restrições técnicas e de tempo 
impostas pelo tribunal, mas ainda assim foi possível explorar pontos vulneráveis para 
adulterar o software de votação e entrar no ambiente da urna eletrônica.


O Tribunal Superior Eleitoral afirmou na época que as falhas estavam sendo corrigidas 
e não haveria riscos quanto à votação de 2018. O problema não teria ocorrido em 
eleições anteriores porque foi identificado em uma atualização de sistema, segundo
 o tribunal.


Aranha é um dos pequisadores mais destacados do tema criptografia no país, sendo 
membro do Comitê Consultivo da Conferência Internacional em Criptografia e Segurança 
da Informação na América Latina (LATINCRYPT) e da Comissão Especial de Segurança 
da Sociedade Brasileira de Computação (CESEG).


Recebeu em 2015 o prêmio Inovadores com Menos de 35 Anos Brasil da MIT 
Technology Review por seu trabalho com o voto eletrônico e Google Latin America 
Research Award para pesquisa em privacidade em 2015 e 2016.


Ainda neste mês, o Supremo Tribunal Federal decidiu suspender a adoção parcial do 
voto impresso nas eleições de 2018, uma medida como um mecanismo para coibir
 fraudes.


A impressão do voto seria implantada em 5% das urnas, a um custo de R$ 57 
milhões.


A Procuradoria Geral da República contestou a medida afirmando que se tratava
 de um "retrocesso para o processo eleitoral" ao supostamente ampliar a possibilidade 
de fraudes e ameaçar o sigilo do votos.

Folha Politica

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