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Rodoviários do Rio fazem paralisação de ônibus; prefeito convoca reunião



Categoria cobra 10% de reajuste, entre outras reivindicações; sindicato garante 30% da frota nas ruas, mas passageiros relatam espera de até duas horas pela condução.




Por Alba Valéria Mendonça e Bruno Albernaz, G1 Rio e TV Globo

11/06/2018 05h29 Atualizado há menos de 1 minuto





Rodoviários do Rio de Janeiro fazem greve pedindo reajuste de salários



Greve dos rodoviários deflagrada na madrugada desta segunda-feira (11) atinge toda a cidade do Rio, prejudicando a circulação de linhas convencionais e dos corredores do BRT. No rush da manhã, muitos pontos em todas as regiões do Rio estavam superlotados, e alguns coletivos foram depredados por grevistas. Também havia piquetes nas portas das viações.



Prefeito Crivella conduz reunião entre grevistas e patrões (Foto: Alba Valéria Mendonça/G1)


O prefeito Marcelo Crivella convocou uma reunião ainda nesta manhã para tentar acordo entre o Rio Ônibus e o sindicato. A negociação estava emperrada, apesar do acordo entre município e empresas para elevar a passagem para R$ 3,95.





Greve: ônibus são atacados e passageiros esperam horas por transporte no RJ



Alguns ônibus circulam na Avenida Presidente Vargas nesta segunda-feira (11) (Foto: Edivaldo Dondossola/ TV Globo)



Segundo Sebastião José, presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus do Rio (Sintraturb Rio), a expectativa é que os motoristas aumentem, gradativamente, o número de ônibus parados até atingir o percentual de 70%.


“A gente está fazendo o possível para que a população não seja tão afetada, então esse movimento começa gradativamente. Começa uma paralisação por empresa, até atingir os 70%. Nós vamos cumprir a lei de greve que determina, no caso de serviços essenciais, que é o nosso caso, tem que rodar, pelo menos, 30%”, afirmou Sebastião.


Às 9h15, pelo menos seis empresas estavam paradas: Ideal, Três Amigos, Paranapuan, Real, Redentor e Barra, segundo o Sintraturb. Nelas trabalham 8 mil rodoviários, que atendem bairros das zonas Norte, Sul e Oeste do Rio.



Cerca de 150 ônibus estavam parados na garagem da empresa Real na manhã desta segunda (11) (Foto: Reprodução / TV Globo)


Por volta das 7h, o pátio da garagem da Viação Real, que fica na Avenida Brasil, estava cheio de ônibus, e havia reforço no policiamento. A empresa atende muitos passageiros na Zona Norte da cidade.


Reivindicações:


reajuste de 10% nos salários
plano de saúde
retorno da data-base para 1º de março
vale-alimentação de R$ 409,50
vale-refeição de R$ 480
fim da dupla função (motorista trabalhar como cobrador)
suspensão das multas e da pontuação com maior prazo para recursos
pagamento de atrasados



"Depois de dois anos sem reajuste para a categoria, a proposta de 4%, sendo 2% em junho e mais 2% em novembro, é no mínimo ridícula", informou antes Sebastião José, em nota.


Aumento da passagem como garantia


Uma assembleia-geral foi realizada semana passada, com 350 profissionais da categoria. A direção do sindicato informou que recebeu ofício encaminhado pelo Rio Ônibus, o sindicato das empresas de ônibus, em que era garantido que, diante do reajuste da passagem concedido pela prefeitura (de R$ 3,60 para R$ 3,95), seria possível discutir o aumento de salários e pagamento dos atrasados.


"Infelizmente, são os usuários que vão pagar o preço da irresponsabilidade dos empresários. A categoria vive hoje um estado de escravidão, onde muitos profissionais trabalham mais de 16 horas por dia. Isso sem contar que, com o fechamento até agora de oito empresas, mais de 6 mil pais de família estão sem saber o que fazer. Essa situação precisa ter um fim", argumentou Sebastião.



Sebastião José, presidente do Sintraturb (Foto: Reprodução/ TV Globo)


Ainda de acordo com o presidente da categoria, além de reajuste salarial, as reivindicações incluem melhorias nas condições de trabalho. “Estamos há 2 anos sem reajuste de salário; motorista está passando fome no volante e sem plano de saúde; e, principalmente, o descaso do prefeito, que fez acordo de aumento de tarifa com os empresários e sequer tocou no assunto de regulamentar a própria lei que ele sancionou para que voltem os cobradores”.



Em nota, o Rio Ônibus disse que "continua disposto a avançar nas negociações e já encaminhou ao sindicato dos rodoviários sugestão de novo agendamento de reunião para tentar solucionar o impasse o quanto antes".




Drama de passageiros





Passageiras aguardam por ônibus no entorno da Rodoviária Novo Rio (Foto: Alba Valéria Mendonça/ G1)


Com a greve, linhas deixaram de passar, ou os coletivos, de tão cheios, não paravam nos pontos. Na Rodoviária Novo Rio, tinha gente esperando quase duas horas por um ônibus.


A vendedora Natália Moreira, que mora na Zona Portuária, estava desde as 8h tentando pegar o Troncal 6, que normalmente tem quatro ônibus no ponto. O ônibus só chegou às 10h.


"Cheguei cedo, mas não tem ônibus. Já liguei pra minha chefe e avisei, pois tinha que estar no trabalho às 9h30. Podia tentar pegar um ônibus no Centro, mas não sei se tem ônibus por lá. Na fila disseram que tem um monte de linhas que não estão circulando. Fiquei com medo. Prefiro esperar", disse Natalia.


Rose dos Santos, que também esperava o Troncal 6 para ir para o Catumbi, estava voltando para casa.



"A gente não sabe como vai ficar mais tarde, se vai ter ônibus pra voltar pra casa. Uma moça que estava na fila ficou com medo de ficar sem condução depois e desistiu de ir pro trabalho. Pegou o ônibus e voltou pra casa em Caxias. Também não vou me arriscar", disse Rose.





O Troncal 6 veio, cheio. O fiscal avisava na fila que outro carro ia demorar. Só dois dos 21 da linha estavam rodando.




Piquetes prejudicam o BRT




Os corredores expressos também foram afetados pelo movimento grevista. De acordo com Suzy Balloussier, diretora de Relações Institucionais do BRT, os serviços operam com intervalos irregulares, pois motoristas foram ameaçados. Segundo a concessionária, nove articulados foram alvo de vandalismo.


A Transolímpica chegou a ser paralisada por conta de uma manifestação dos rodoviários. No corredor Transcarioca, alguns ônibus foram algo de vandalismo na altura da estação Maré. No corredor Transoeste, nenhum incidente aconteceu, mas o movimento é irregular.




Lotadas na Ilha do Governador




Ônibus das empresas Ideal e Paranapuan, que atendem a região, não estão circulando. Vans e carros particulares estão fazendo lotadas, segundo apurou a repórter Raquel Honorato, para o Bom Dia Rio. Motoristas cobravam até R$ 25 por passageiro e superlotavam seus veículos. Vans também circulavam com gente em pé.


Segundo passageiros, que por volta das 6h já estavam há mais de meia hora à espera de transporte, a situação na Ilha vinha se agravando aos poucos. Na sexta-feira (8), motoristas e cobradores das 17 linhas da empresa Paranapuan estavam circulando com frota reduzida, em situação precária.


Passageiros que estavam no ponto contaram que apenas ônibus da empresa Reginas, que é intermunicipal, estavam trafegando normalmente.




Outros transportes




O Centro de Operações Rio recomenda que os passageiros optem por trens, metrô e barcas nessa segunda (11), já que a paralisação pode causar irregularidade no serviços dos ônibus.


O Metrô Rio informou que, em razão redução na circulação de ônibus, vai reforçar as equipes nas 41 estações do sistema, para garantir uma maior agilidade no serviço. Até as 11h, não havia registro de aumento da demanda.



Acesso a estação de trem de Madureira fica lotada devido a greve dos Rodoviários (Foto: Reprodução/Redes Sociais)



Já a SuperVia informou ter transportado 13 mil passageiros a mais. A Estação Madureira foi uma das mais cheias.




Prefeitura do Rio




A Secretaria Municipal de Transportes informou que acompanhará a movimentação de greve e aplicará as sanções cabíveis em caso de descumprimento de obrigações contratuais. "Esclarecemos que não mantemos relação com as empresas individualmente, e sim com os consórcios, que têm obrigação contratual de manter os serviços de forma regular e satisfatória, sem causar prejuízo aos passageiros em caso de paralisação, greves ou fechamento".


As ações incluem o acompanhamento por meio de câmeras e em campo sobre o funcionamento das linhas e acompanhar o posicionamento da Justiça do Trabalho sobre a legalidade da greve.

G 1

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