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STF suspende voto impresso


Imagem: Reprodução 




















A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal votou nesta quarta-feira (6/6) pela 
concessão de liminar suspendendo o voto impresso nas eleições de outubro. Os ministros
 entendem que a medida afronta a Constituição porque fere o sigilo do voto e também 
o princípio da razoabilidade.

Votaram contra o voto impresso os ministros Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Luís 
Roberto Barroso, Marco Aurélio, Rosa Weber e Ricardo Lewandowski . Relator da ação,
 o ministro Gilmar Mendes defendeu que não há inconstitucionalidade na impressão do
 voto, mas que a implementação seria gradual e dependeria da disponibilidade de 
recursos do Tribunal Superior Eleitoral. Ele foi seguido por Dias Toffoli. Faltam votos de 
Celso de Mello e Cármen Lúcia.


Os ministros discutem a ação direta de inconstitucionalidade (ADI) 5889, apresentada 
pela Procuradoria Geral da República contra parte da lei aprovada em 2015 que 
estabelece o voto impresso. A PGR sustenta ao STF que a obrigatoriedade de
 impressão do voto representa um retrocesso para o processo eleitoral, amplia a
 possibilidade de fraudes, além de ser uma ameaça ao sigilo da manifestação do
 eleitor.

O MPF questiona especificamente o artigo 59-A que passou a fazer parte da chamada 
Lei das Eleições, em setembro de 2015, quando o Congresso Nacional aprovou
 uma minirreforma eleitoral. O texto legal prevê a adoção de uma nova sistemática
 segundo a qual, cada voto deverá ser impresso de forma automática pela urna 
eletrônica e, após a conferência do eleitor, depositado diretamente em local 
previamente lacrado. No entanto, para a procuradora-geral, essa medida não
 garante o anonimato e a preservação do sigilo, previsto na Constituição Federal.

“A norma não explicita quais dados estarão contidos na versão impressa do voto, o 
que abre demasiadas perspectivas de risco quanto à identificação pessoal do eleitor, 
com prejuízo à inviolabilidade do voto secreto”, afirma em um dos trechos do documento.

Em abril, o TSE chegou a assinar um contrato de R$ 57 milhões para instalar impressoras
 em apenas 30 mil urnas eletrônicas, 5% do total. Segundo cálculo da Corte Eleitoral, 
a implementação do voto impresso para todos os eleitores teria um custo de R$ 2 bilhões.
  A adoção do voto eletrônico teve início no Brasil nas eleições de 1996, quando 35% 
das urnas foram informatizadas. Desde o ano 2000, todas as urnas são eletrônicas, 
sem impressão do voto.

Em 2009, o STF considerou inconstitucional um dispositivo com propósito semelhante 
que havia sido aprovado pelo Legislativo em 2009. Na época, a justificativa para a rejeição 
da norma foi o risco que a medida representava à segurança do processo eleitoral.

Folha Politica

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