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Justiça adia audiência de religiosos acusados de desviar R$ 2 milhões

Deflagrada em 19 de março, a Operação Caifás, do Ministério Público de Goiás, investiga grupo acusado de desviar mais de R$ 2 milhões dos cofres da Igreja Católica. Entre os suspeitos, estão cinco padres e o bispo de Formosa, dom José Ronaldo Ribeiro

Após uma hora de atraso para começar a sessão de julgamento e instrução dos religiosos acusados de desviar mais de R$ 2 milhões dos cofres da Igreja Católica  da diocese de Formosa, o juiz que preside o caso adiou a oitiva de testemunhas. 
A solicitação partiu da defesa dos religiosos, após o Ministério Público de Goiás (MPGO) apresentar documentos que não constavam no processo. O magistrado acatou a solicitação e remcarcou o julgamento para 10 de setembro.

Na decisão, o juiz Fernando Oliveira Samuel afirmou que os defensores poderiam ser prejudicados com a apresentação dos novos documentos. No entanto, reconheceu que a legislação permite a juntada dos arquivos no processo a qualquer momento. 

Para o promotor à frente do caso, Douglas Chegury, a medida foi uma estratégia da defesa para adiar o processo. "Para eles (a defesa) o adiamento do julgamento é melhor, porque o caso vai caindo no esquecimento", ressalta. O promotor afirma que o MPGO concordou com o adiamento, porque quer que os advogados tenha ampla capacidade para defender os réus. 

Deflagrada em 19 de março, a Operação Caifás, do Ministério Publico de Goiás, resultou no cumprimento de nove mandados de prisão contra grupo acusado de desviar dinheiro de 33 paróquias vinculadas à Diocese de Formosa. A suspeita é de que os réus faturassem dinheiro por meio de batizados, casamentos e eventos realizados pela igreja. A investigação aponta que os religiosos tenham adquirido propriedades, veículos e joias.Entre os suspeitos, está o bispo de Formosa, dom José Ronaldo Ribeiro.  

Na próxima sessão, 32 testemunhas devem ser ouvidas. Quatro serão de acusação e 28 de defesa. O promotor ressalta que, dificilmente, os réus prestarão depoimentos durante a audiência, já que a demanda com as testemunhas deve tomar o dia inteiro. 

Para ter direito ao habeas corpus, a Justiça determinou que todos os 11 réus comparecessem à todas as audiências. Porém, eles só serão ouvidos pelo júri após o depoimento das testemunhas, portanto, dificilmente poderão apresentar a defesa em 10 de setembro. 

Chegury ressalta que as testemunhas de acusação são três padres e um leigo, que auxiliaram nas investigações e trabalhavam na gestão de dom José. O júri deve escutá-los ainda nesta quinta. O promotor esclarece que cerca de 70 depoimentos foram colhidos por meio de precatórias. "Temos mais de uma centena de testemunhas. A maioria é da defesa, já que temos 11 acusados", diz. 
O bispo dom José chegou ao fórum por volta das 8h30, acompanhado pelo juiz eclesiástico Tiago Wenceslau. A dupla é acusada de comandar o suposto esquema criminoso que teria desviado dinheiro de 33 paróquias de responsabilidade da Diocese de Formosa. 

Também compareceram à audiência: Waldson José de Melo, Pároco da Paróquia Sagrada Família, em Posse; Guilherme Frederico Magallhães, secretário da Cúria de Formosa; Darcivan da Conceição Serracena, funcionário da Diocese de Formosa; Edmundo da Silva Borges Junior, advogado da Diocese de Formosa; Pedro Henrique Costa Augusto e Antônio Rubens Ferreira, empresários apontados como laranjas do esquema; Tiago Wenceslau de Barros Barbosa Junior, juiz eclesiástico; Mario Vieira de Brito, pároco da Paróquia São José Operário, em Formosa; Moacyr Santana, pároco da Catedral Nossa Senhora da Imaculada Conceição, em Formosa; Epitácio Cardozo Pereira, vigário-geral; e José Ronaldo Ribeiro, bispo de Formosa.  

Operação Caifás

A investigação do Ministério Público de Formosa aponta que o grupo desviava dinheiro de casamentos, batizados e eventos realizados pela igreja. A estimativa é de que o bando tenha faturado mais de R$ 2 milhões. Eles adquiriram propriedades, uma fazenda em Formosa e uma lotérica em Posse (GO), joias e mais de 160 veículos, que estavam registrado no nome da Cúria da região. O esquema teria começado em 2015. 

Os suspeitos são acusados de apropriação indébita, associação criminosa e alguns por lavagem de dinheiro. Durante a operação, oito pessoas foram mantidas presas por quase 30 dias, mas conseguiram liberdade por conta de um habeas corpus impetrado pela defesa dos réus e concedido pelo TJGO.

Informações do Correio Braziliense

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